A noite longa, pode-se dizer que não durou muito. Eu já estava pronta para o final e já estava farta de sofrer, então decidi arriscar tudo.
Eu conheço bem demais o Castiel, todos os seus defeitos, todas as suas qualidades, os seus gostos e viver com ele durante este tempo pode-se dizer que me fez ficar a conhecer algo muito além da máscara.
A cada dia que passava eu tinha a certeza do que sentia-a, eu amava-o, correção eu amo-o com todas as minhas forças, ele está lá quando eu preciso, ele dá-me força e vontade de viver e viver cada vez mais, ele dá-me vontade de aproveitar cada momento perto dele, de desfrutar de cada recordação, de cada segundo, de cada sentimento, de cada toque, de cada cheiro, de toda a minha vida!
Eu perdi o meu irmão, o meu maior apoio, a minha maior base e o sonho que eu vivia naquele tempo foi quebrado, foi transformado no piar momento da minha vida e tudo me fez querer termina-la. Quando me mudei para cá, quando conheci o Castiel, quando o descobri, percebi que a minha vida.voltava a ganhar cor, eu voltava a ter vida, voltava a aproveita-la e voltava a AMAR.
O Castiel estava abraçado a mim, passamos assim a noite toda, sem discussões como costumava ser, eu abri lentamente os olhos e raios de luz adentravam o quarto, bem como uma pequena brisa, as minhas pernas estavam enroscadas no vestido e eu sentia algo quente, mas ao mesmo tempo duro contra as minhas costas.
Virei-me completamente e fiquei frente a frente com um Castiel a dormir sem camisola, ele estava com os cabelos todos bagunçados e com cara de santo, então imaginem lá a fofora desta figura.
Ele apertou a mão contra as minhas costas e puxou-me ligeiramente para ele, olhei-o e ele continuava a dormir, como via que ele não me ia largar tão fácil, comecei a fazer desenhos com as mãos no peito e cantava baixinho "Kiss me slowly" dos Parachute.
Devem ter passado uns dez minutos ou talvez mais, mas eu não parava de percorrer o peito e barriga dele com as mãos, sempre a cantar.
Estava tão entretida a contar, pode-se dizer assim, os abdominais dele, mas sou despertada por um suave movimento no meu cabelo, ele estava acordado e não precisava de o olhar para saber, encostei a testa no peito dele e continuei a contar abdominais.
-O meu corpo interessa-te assim tanto?
-Phef! Olha lá ó convencido, tu achas que és quem?
Permaneci na mesma posição, não me mexi nada, continuava apenas a passar os dedos pela barriga dele. Ele ri-se e a barriga dele contrai-se.
-6 ou talvez 8. Não, seis de certeza.
-O que são seis?
-Os teus abdominais. - levanto a cabeça para olhar para aquele rosto que ainda coberto pelo sono, parecia inocente, os olhos negros dele prendiam-me completamente a ele. -Porquê? Não me digas que achavas que eram mais?
-Na verdade nunca me deu na telha de contar!
Ele aproxima-se ligeiramente rouba-me um beijo e senta-se na cama. Enterro a cabeça na almofada dele, sentindo a forte presença dele ali, o cheiro dele impregnado na minha querida e companheira de todas as dores, almofada, ele deita-se por cima das minhas costas, colocando a cabeça no meu ombro e sussurra-me.
-E agora?
-Não sei!
-Mas eu sim. Aceitas namorar comigo e aproveitas o momento.
Levantei a cabeça da almofada admirada, com o que ele tinha dito.
-Na-Namorar?
-Sim, na-mo-rar!
Soletrou a palavra namorar e voltou a sentar-se levando-me com ele, que agarrei a almofada com muita força.
-Não, a minha almofadinha. Cheira tão bem!
Ele riu-se da minha atitude, tirou-me a almofada o que me fez ficar chateada e beijou-me.
-Tens aqui algo com esse cheiro, que a partir deste momento podes aproveitar 24 horas por dia, ofertas limitadas ao stoque existente.
Ele abriu os braços com um sinal convidativo e um sorriso malicioso na cara.
Eu abracei-o, com força e ele retribuiu pousando o queixo sobre a minha cabeça.
-Espero que haja, stoque para mim.
-Sempre, mas sempre vai haver stoque para ti!
-Mas é claro! A peça original é minha e só minha.
Afastei-me dele e beijei-o, assim ficamos, juntos, felizes enquanto podemos, e isso é agora e para sempre, porque como eu disse a peça original é minha e só minha, e eu não gosto de partilhar, mesmo nada!
FIM!


